Alimentos - Ed. 2020

22. Prisão Civil de Alimentante

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22.1.Obrigação civil de alimentar e prisão civil por alimentos: procedimento da execução de alimentos e a ordem de prisão

Da mesma forma como ocorre com o cumprimento de sentença condenatória a pagamento de quantia, o juiz só poderá dar início à execução de alimentos mediante requerimento do credor ou do Ministério Público.

Somente será legítima a decretação da prisão civil por dívida de alimentos se o responsável inadimplir voluntária e inescusavelmente a obrigação.

Caso seja escusável ou involuntário o inadimplemento, não poderá ser decretada a prisão. Reitera-se: o CPC 528 § 2º estipulou que apenas a demonstração da impossibilidade absoluta justifica o inadimplemento de prestação alimentar e elide a prisão. 1

HC. Ordem indeferida em outro HC. Novas razões. Justificativa para não pagamento. Em regra, não é cabível habeas corpus como sucedâneo do recurso próprio. Hipótese, todavia, em que a justificativa da impossibilidade de pagamento dos alimentos durante o período de reclusão do paciente caracteriza a excepcionalidade que permite a apreciação do habeas corpus. 3. No caso, foi demonstrado que o período da inadimplência dos alimentos coincide com o tempo em que o paciente, autônomo, ficou preso em decorrência de sentença penal condenatória, tendo voltado a pagar a pensão a partir do mês posterior à progressão de regime penal, e, ainda que, antes disso, o compromisso alimentar foi honrado por mais de 6 anos, o que indica ser verdadeira a alegação de ausência de recursos para adimplir a obrigação ao tempo da reclusão. HC conhecido. Ordem concedida. 2

Se todas essas providências não encontrarem bom resultado, a execução poderá alcançar sua modalidade máxima suasória, consistente em prisão civil do obrigado, como forma de compeli-lo ao cumprimento da prestação alimentar, pelo trabalho e auferição de renda que dê suporte à prestação alimentar.

Crédito de alimentos. Prisão. STJ 309. “O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo.” As prestações anteriores constituem dívida de valor que devem ser executadas nos moldes da execução por quantia certa contra devedor solvente, e podem ser exigidas desde que não tenha ocorrido a prescrição ( CC 206 § 2º).

Ordem de prisão. Pode o executado postular sua alteração, sob o argumento de que a cobrança já se prolonga no tempo e teria desaparecido o caráter da urgência que justificaria a prisão. Isso seria premiar o inadimplente por sua desídia, o que não se pode tolerar, como afirmado no julgamento seguinte, em que ficou decidido que a execução abrange as três últimas parcelas e as vencidas durante o curso da lide (TJRS, 7ª Câm. Cív., HC 70052938057 , Rel. Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves, j. 27.02.2013, v.u., DJe 06.03.2013). Em sede de execução, não se discute o binômio possibilidade/necessidade (TJRS, 7ª Câm. Cív., Ag 70062548128 , Rel. Jorge Luís Dall’Agnol, j. 11.02.2015, v.u., DJe 18.02.2015). Em sentido contrário: Acolhimento de alegação de que o executado teve alteração de seu estado econômico-financeiro (TJRJ, 8ª Câm. Cív., HC 0035906-32.2012.8.19.0000 , Rel. Norma Suely Fonseca Quintes, j. 22.01.2013, v.u., DJe 1º.02.2013). Alegação de excesso de execução não é argumento que autorize reconhecer motivos para a impossibilidade financeira do réu e, consequentemente, para a liberação do devedor, quanto à ordem de prisão civil. 3

Agravo contra decreto prisional. O Tribunal de origem incorreu em ilegalidade – error in procedendo – ao deixar de apreciar o recurso de agravo de instrumento que desafiava o decreto prisional, haja vista que o fundamento utilizado – a impugnação da decisão por meio de habeas corpus impediria o conhecimento do recurso – viola o ordenamento jurídico pátrio. Verifica-se que o paciente interpôs corretamente o agravo de instrumento, recurso ordinariamente previsto para que o Tribunal a quo reexaminasse os fundamentos da decisão que decretou a ordem de prisão. Ordem concedida, em menor extensão, para determinar o conhecimento do recurso de agravo de instrumento pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. 4

Período de restrição à liberdade pessoal. Dessarte, buscando conferir efetividade à tutela jurisdicional, foi instituído, por força da L 5.478/1968 19 e do CPC/1973 733, meio executório de coerção pessoal, com a possibilidade de restrição à liberdade individual do devedor de alimentos, de caráter excepcional. Ressalta-se que o novo CPC manteve, com alguns avanços e peculiaridades, a possibilidade de prisão do devedor de alimentos “pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses”, caso não pague ou não venha a ter a sua justificativa aceita, além de ter o seu nome protestado (CPC 528 § 3º), determinando, ainda, que “o cumprimento da pena não exime o executado do pagamento das prestações vencidas e vincendas” (CPC 528 § 5º). 5

A ordem de prisão por descumprimento de obrigação alimentar comumente decorre de pedido do alimentando, como forma de forçar o cumprimento da obrigação pelo alimentante.

A pretensão de o alimentante faltoso se livrar da prisão civil ordenada, por meio de habeas corpus impetrado como supedâneo de recurso, não é admitida pelo STJ:

HC como sucedâneo de recurso. 1. Não é admissível a utilização de habeas corpus como sucedâneo ou substitutivo de recurso ordinário cabível. Precedentes. 2. Cabe ao credor/exequente dos alimentos a opção pela via executiva da cobrança que melhor atenda as suas necessidades. Precedentes. 3. Promovida a execução com base no art. 733 do CPC/73, cobrando até as...

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29 de Novembro de 2021
Disponível em: https://thomsonreuters.jusbrasil.com.br/doutrina/secao/1153074221/22-prisao-civil-de-alimentante-alimentos-ed-2020