Contraponto Jurídico - Ed. 2019

1. O Compartilhamento e Uso Comercial de Dados e a Sustentabilidade Digital - Compartilhamento e Uso Comercial de Dados

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Digital

Compartilhamento e uso comercial de dados

Alexandre Zavaglia Coelho 1

1.Introdução

O fenômeno da digitalização está transformando todos os setores da economia, com grandes impactos nas dinâmicas sociais e, de um modo especial, no conceito milenar de privacidade.

A diminuição do custo de armazenamento, processamento e as técnicas de captura e organização de dados, de forma integrada com o avanço da internet, impulsionaram um novo modelo de negócios.

Além da crescente automação da produção nas fábricas, também estamos assistindo, nos últimos anos, o uso de novas tecnologias para alterar profundamente os serviços, ou seja, a forma como o setor de serviços se organiza e se relaciona com os seus clientes.

E no centro dessa revolução estão os dados. Não quaisquer dados, mas os dados gerados por milhares de pessoas por meio de seus dispositivos pessoais (celulares, tablets, desktops), pelo uso de softwares e aplicativos que se multiplicam diariamente.

A queda das barreiras para a criação de soluções tecnológicas – em função do custo acessível e as relativas facilidades para se criar um software ou aplicativo (app) e distribuí-lo por meio de marketplaces virtuais, como a Apple store ou a playstore para o Android – criou a desintermediação e a especialidade que o setor de serviços e seus nichos de mercado precisavam para alavancar a sua própria metamorfose.

E o uso de ferramentas tecnológicas e a digitalização das atividades de relacionamento interno e com o seu público-alvo, permitem identificar as correlações para melhorar a gestão interna das empresas, para o desenvolvimento e aprimoramento de produtos e, de um modo geral, para melhorar a assertividade nas vendas e nos resultados.

No caso da produção de bens de consumo, além da automação, as fábricas agora também têm acesso não só a informações sobre defeitos em tempo real de seus dispositivos ligados a internet, de necessidade de revisão de equipamentos, como também podem monitorar os hábitos de seus consumidores finais e a forma como utilizam esses produtos, em função do avanço da IoT (internet das coisas).

Ao perceber os fenômenos da digitalização e ter acesso a essas novas tecnologias, o mercado está caminhando cada vez mais para esse modelo de negócio digital, seguindo o movimento data-driven, de atividades orientadas por dados.

É um elemento novo na engrenagem da produção de bens e serviços que está transformando rapidamente a forma de se relacionar na sociedade, com efeitos positivos na medida em que a tecnologia está auxiliando a gerar um conhecimento relevante para cada indivíduo e as corporações, entre as milhares de opções, mas que colocam a privacidade e a proteção de dados pessoais entre os maiores desafios do mundo moderno.

2.A evolução da ciência de dados (estruturados e não estruturados)

Foi a popularização da internet e o número crescente de sites e referências compartilhadas, que gerou a necessidade e a oportunidade de criação dos “buscadores” mais potentes, a partir da primeira década dos anos 2000. Assim, foram criados como verdadeiros filtros para auxiliar os internautas a pesquisar algo relevante no mar de dados desestruturados, de acordo com seu perfil e interesse. Seguindo esse movimento e o fato de que era crescente o número de pessoas conectadas nesse ambiente virtual, também surgiram, nessa época, as redes sociais.

Os buscadores e as redes sociais foram, certamente, os grandes pioneiros e principais propulsores desse novo modelo.

O oferecimento desses serviços virtuais sempre foi de forma gratuita, o que determinou a necessidade de sua monetização por outros meios. E a disponibilização de espaços para o marketing foi a saída idealizada pelos gigantes da tecnologia, como o Google e o Facebook, que começavam a se consolidar.

Com isso, de forma mais acentuada na segunda década dos anos 2000, orçamentos multimilionários para pesquisas e desenvolvimento dessas soluções proporcionaram a inovação necessária para a conversão de dados em informações, para compreender de forma mais precisa o perfil e o interesse dos usuários, para ampliar a probabilidade de clique nas propagandas sugeridas.

Isso, porque não basta visualizar, mas efetivamente clicar na propaganda para que a plataforma seja remunerada. Portanto, quanto mais certeira a propaganda, mais cliques e mais receita.

Ao compreender esse movimento, essas empresas não pouparam esforços para avançar no modelo de serviços orientados por dados (data-driven), para mensurar a assertividade de suas iniciativas e ampliar suas receitas.

Com a diminuição no custo de armazenamento, o avanço da internet e a popularização do oferecimento de soluções tecnológicas para a coleta e análise de dados, criou-se o caminho para essa revolução.

Ao alcançar a viabilidade de orçamento para armazená-lo e processar todas as interações dos usuários na internet, tanto em buscas, acessos a sites, como pelo seu relacionamento nas redes sociais, o grande desafio das empresas passou a ser justamente o avanço da tecnologia para “ler”, organizar e cruzar esses milhares de dados (big data) desestruturados e despadronizados, para gerar os insights esperados.

Esse cenário impulsionou e foi impulsionado pelo avanço da ciência de dados que, segundo Provost e Fawcett 2 , envolve “princípios, processos e técnicas para compreender os fenômenos por meio da análise (automatizada) de dados”, com o objetivo primordial de aprimorar a tomada de decisão.

E a evolução das técnicas de inteligência artificial (data mining, machine learning, deep learning etc.), que foram criadas nos anos 1950 e que só tiveram o ambiente ideal para sua aplicação nos últimos anos, é o que está possibilitando a mineração, a organização e análise dos dados.

Com isso, imagens, vídeos, textos em papel, trocas de mensagens, ou mesmo dados que já estão lançados em sistemas – mas de forma despadronizada ou dispersa, passaram a ser convertidos progressivamente em dados estruturados, ou seja, passaram a ser reconhecidos pela máquina para as análises esperadas.

Esse foi um grande passo, pois os dados não estruturados são considerados 80% por dados produzidos no mundo, de maneira que a possibilidade de “ler”, organizar e guardar essa quantidade de informações relevantes de milhares de pessoas, para a utilização de algoritmos capazes de determinar o perfil e os seus hábitos de consumo, fez com que essas empresas atingissem uma nova dimensão.

E nós, usuários, começamos a perceber que uma busca de informações de uma viagem de turismo, por exemplo, gerava o aparecimento de propagandas sobre o mesmo local...

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7 de Dezembro de 2021
Disponível em: https://thomsonreuters.jusbrasil.com.br/doutrina/secao/1166915747/1-o-compartilhamento-e-uso-comercial-de-dados-e-a-sustentabilidade-digital-compartilhamento-e-uso-comercial-de-dados-contraponto-juridico-ed-2019