Inteligência Artificial e Direito: Ética, Regulação e Responsabilidade

Inteligência Artificial e Direito: Ética, Regulação e Responsabilidade

É Possível Confiar em Um Sistema de Inteligência Artificial? Práticas em Torno da Melhoria da Sua Confiança, Segurança e Evidências de Accountability

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Autor:

Andriei Gutierrez

1.Um debate de cunho tecnológico, um tema eminentemente humano

Pouco 1 a pouco, tem crescido a percepção de que as transformações proporcionadas pelo avanço da Inteligência Artificial (IA) irão mudar significativamente a sociedade moderna. Um avanço tecnológico com capacidade de impacto social de tal envergadura, talvez apenas comparável ao início da Revolução Industrial, quando trocamos a força animal pelo vapor e demos um passo sem volta na história humana.

A maneira como organizamos a produção nos diversos setores, como nos relacionamos social e profissionalmente, como nos organizamos, movemos e até pensamos estão se transformando radicalmente. E estamos vivendo esse momento, de transição, de convívio do antigo com o novo. De relações sociais condicionadas por uma lógica eminentemente analógica, industrial, para relações sociais impulsionadas por um espírito predominantemente digital.

O impacto mais profundo, talvez, será aquele da formação de um novo tipo de mentalidade com um novo tipo de homem. Tal qual a Revolução Industrial forjou o homem urbano moderno que conhecemos hoje, estamos a viver o momento da introdução dos elementos que irão construir a forja dos futuros cidadãos da sociedade digital.

Tamanha é a profundeza das transformações que se torna muito difícil o trabalho de previsão do futuro para a necessária reconstrução do presente. Quando a ficção científica parece se tornar menos ficção e mais realidade, somos demandados à constante vigilância da razão. Não estaria a nossa razão perdendo razão na medida em que vê seus pilares de sustentação se ruírem para dar lugar a um novo tipo de sociedade com sua razão e coerência próprias?

E nesse trabalho, engana-se aquele que acredita que nossos problemas são de ordem tecnológica. Pelo contrário. E à medida que somos chamados de volta ao exercício da razão e nos distanciamos da contemplação tecnológica, temos a certeza de que nosso problema é eminentemente humano. Se por um lado esse exercício exige o conhecimento técnico, por outro, demanda uma volta aos nossos valores e princípios éticos. Aqui, caro leitor, delimitamos os limites e as regras que devemos tratar o objeto deste ensaio.

2.Inteligência Artificial: o que é e em que estágio estamos?

Desde a década de 1950 que cientistas discutem e estudam técnicas de IA. Grosso modo, poderíamos caracterizá-las como tentativas de emular capacidade humana cognitiva em sistemas artificiais.

Depois de um longo “inverno” nas inovações de IA, mais recentemente, há cerca de uma década, voltamos a avançar consideravelmente nesse campo. Entre os motivos para tal avanço, estariam a grande massa de dados que passou a estar disponível, o incremento computacional e sua redução de custos a partir da computação em nuvem e a criação de novos tipos de algoritmos capazes de emular a capacidade humana cognitiva.

É necessário ponderar que, todavia, mesmo tendo avançado muito nos últimos anos, ainda navegamos em sistemas de IA restritos. Ou seja, os sistemas de IA desenvolvidos e aplicados têm se restringido a domínios muito específicos, como por exemplo, respostas a perguntas escritas ou faladas sobre domínio pré-especificado, automação fabril, pesquisas sobre determinado ramo da medicina, elaboração de peças jurídicas processuais específicas etc.

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jusbrasil.com.br
19 de Agosto de 2022
Disponível em: https://thomsonreuters.jusbrasil.com.br/doutrina/secao/1196969630/e-possivel-confiar-em-um-sistema-de-inteligencia-artificial-praticas-em-torno-da-melhoria-da-sua-confianca-seguranca-e-evidencias-de-accountability