Doutrinas Essenciais - Novo Processo Civil

13. Sobre o Incidente de Assunção de Competência - Capítulo III - Assunção de Competência

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PARTE II - INCIDENTES DE COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DE TRIBUNAL

Capítulo III - Assunção de competência

Autor:

LUIZ GUILHERME MARINONI

Pós-Doutorado na Università degli Studi di Milano. Visiting Scholar na Columbia University. Professor Titular da Universidade Federal do Paraná. Diretor do Instituto Ibero-americano de Direito Processual. Membro do Conselho da International Association of Procedural Law. Advogado guilherme@marinoni.adv.br

Sumário:

Área do Direito: Processual

Resumo: O texto trata do incidente de assunção de competência, analisando importantes questões que lhe dizem respeito. Situa a decisão do incidente de assunção de competência diante da decisão proferida no incidente de resolução de demandas repetitivas e dos precedentes das Cortes Supremas.Abstract: The text deals with the incident of competence undertaking, analyzing important issues that concern it. It situates the decision of the incident of competence undertaking before the decision taken in the incident of resolution of repetitive demands and from precedents of the Supreme Courts.

Palavra Chave: Incidente de assunção de competência - Incidente de resolução de demandas repetitivas - Precedentes.Keywords: Incident of competence undertaking - Incident of resolution of repetitive demands - Precedents.

Revista de Processo • RePro 260/233-256 • Out./2016

1. Questão de direito com grande repercussão social envolvida no caso e questão de direito prejudicial à resolução de demandas repetitivas: distinção e principais consequências

O art. 947 afirma que é admissível a assunção de competência quando “o julgamento” – de recurso etc. – “envolver relevante questão de direito, com grande repercussão social, sem repetição em múltiplos processos”. O art. 976, por sua vez, diz que o incidente de resolução de demandas repetitivas pode ser instaurado quando há “repetição de processos que contenham controvérsia sobre a mesma questão unicamente de direito”.

De lado o fato de que o incidente de assunção de competência cabe para o julgamento do caso que contém a questão e o incidente de resolução para o julgamento da questão contida nos processos, o que realmente distingue os dois incidentes é que no primeiro há de haver uma questão com grande repercussão social e no segundo apenas uma mesma questão de direito.

Esta diferença está implícita na razão de ser dos dois incidentes: um destina-se a permitir que determinado órgão do tribunal assuma a competência para julgar caso que contém questão relevante, ou melhor, questão de grande repercussão social; outro confere a determinado órgão do tribunal competência para definir uma questão de direito que está sendo discutida em múltiplos processos que se repetem. O primeiro incidente requer apenas a grande repercussão social da questão contida no caso; o segundo exige que a mesma questão esteja sendo discutida em demandas repetitivas. Portanto, num incidente importa uma qualidade da questão de direito e no outro apenas a sua unidade. Em um o caso tem que conter questão de grande repercussão social e no outro basta que exista uma única questão replicada em diversas demandas.

Os diferentes pressupostos para a instauração do incidente têm importantes consequências. No incidente de resolução decide-se questão prejudicial ao julgamento de demandas repetitivas. O incidente, portanto, discute e define questão que afeta diretamente a sorte da tutela de direitos individuais múltiplos. Para que não seja violado o due process, exige-se que os litigantes excluídos sejam representados adequadamente, para o que é imprescindível a participação dos legitimados à tutela dos direitos individuais homogêneos, nos termos do arts. 5.º da Lei da Ação Civil Pública e 82 do CDC. A resolução de uma questão prejudicial à tutela de direitos de sujeitos que não podem discuti-la diretamente, mas apenas mediante representante adequado, tem o significado de coisa julgada sobre questão com eficácia erga omnes. 1

Porém, a questão de grande repercussão social não tem qualquer relação com pessoas, grupos ou classes determinados. Julga-se um caso específico que detém a questão de grande repercussão social. Mas não há solução de caso nem de questão de terceiros. Por isso, não há motivo para reclamar a participação dos representantes adequados das partes que foram excluídas como ocorre no incidente de resolução de demandas. Uma vez que a questão deve ser resolvida por determinado órgão colegiado competente apenas por ter significativa importância para a sociedade, há apenas deslocamento da decisão da questão para outro órgão judicial, sem com que se possa pensar em exclusão de participação de partes que, sendo titulares de pretensões à tutela de direitos, têm o direito de discuti-la e de influenciar a Corte. A decisão proferida no incidente de assunção de competência, por não julgar questão de terceiros, não produz coisa julgada erga omnes. A decisão do incidente de assunção, ao julgar o caso, produz coisa julgada inter partes. A decisão da questão envolvida no caso atinge terceiros em virtude da sua eficácia vinculante, conforme o § 3.º do art. 947.

2…

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23 de Maio de 2022
Disponível em: https://thomsonreuters.jusbrasil.com.br/doutrina/secao/1197015425/13-sobre-o-incidente-de-assuncao-de-competencia-capitulo-iii-assuncao-de-competencia-doutrinas-essenciais-novo-processo-civil