Clássicos Jurídicos - Ed. 2018

Prefácio de Ihering - A Luta Pelo Direito - Rudolf Von Lihering

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Na primavera de 1872, pronunciei uma conferência, na Sociedade Jurídica de Viena, publicada, logo depois, no verão do mesmo ano, bastante ampliada e dirigida a círculo maior de leitores, com o título de A luta pelo direito.

O objetivo que me levou à elaboração e publicação dessa obra foi menos a exposição teórica de pura teoria jurídica do que a elaboração de uma tese ético-prática, menos dirigida à divulgação científica do Direito, do que ao intuito de despertar nos espíritos a disposição moral que deve constituir a atuação firme e corajosa do sentimento jurídico.

As numerosas edições que o livrinho recebeu demonstram que o êxito inicial não foi devido ao gosto pela novidade, mas à convicção do grande público sobre a correção da concepção básica nele expressa. Isso é reforçado pelo reconhecimento do Exterior, demonstrado pelo grande número de traduções publicadas do livro.

No ano de 1874, foram publicadas as traduções:

1. uma húngara, de G. Wenzel, Budapest;

2. uma russa, numa revista jurídica publicada em Moscou, de autor desconhecido;

3. uma segunda (tradução) russa, de Wolkoff, Moscou;

4. uma em grego moderno, de M. A. Lappas, Atenas;

5. uma holandesa, de G. A. van Hamel, Leida;

6. uma rumena, no Jornal Romanulu, publicada em Bucareste (24 de junho e segs.);

7. uma sérvia, de Christic, Belgrado;

No ano de 1875:

8. uma francesa, de A. F. Meydieu, Viena e Paris;

9. uma italiana, de Raffaele Mariano, Milão e Nápoles;

10. uma dinamarquesa, de C. G. Graebe, Copenhague;

11. uma tcheca, de autor desconhecido, Brünn;

12. uma polonesa, de A. Matakiewicz, Lemberg;

13. uma croata, de H. Hinkovic, primeiramente na Revista Pravo, depois em publicação independente, Agram.

No ano de 1879:

14. uma sueca, de Ivar Afzelius, Upsala;

15. uma inglesa, de John J. Lalor, Chicago, da qual, nesse meio tempo, se providenciou segunda edição;

No ano de 1881:

16. uma espanhola, de Adolfo Posada y Biasca, Madri;

No ano de 1883:

17. uma segunda (tradução) espanhola, de Afonso de Pando y Gomes, Madri;

18. uma segunda (tradução) inglesa, de Philip A. Asworth, Londres;

No ano de 1885:

19. uma portuguesa, de João Vieira de Araújo, Recife, Brasil;

No ano de 1886:

20. uma japonesa, de Nischi, Tóquio;

No ano de 1890:

21. uma segunda (tradução) francesa, de O. de Meulenaere, Paris.

Nas edições posteriores, suprimi a introdução anterior, pois exprimia uma ideia que, pelo espaço exíguo, que lhe fora reservado, seria de difícil compreensão. Nem estou bem certo se, na divulgação do trabalho entre leigos, deveriam ser omitidos os trabalhos dirigidos especialmente aos juristas, entre os quais sobressai a parte final, referente ao direito romano e a sua moderna teoria.

Tivesse eu adivinhado a popularidade que o livro alcançaria e ter-lhe-ia dado, desde o início, forma diversa, o que não ocorreu, pois ele teve origem numa conferência destinada a juristas e eu achei que não deveria modificá-lo, em sua concepção original, mas esta determinação não impediu que se divulgasse o referido escrito entre os leigos.

Também não fiz nenhuma alteração de fundo nas edições posteriores. Considero a ideia fundamental de meu livro incontestavelmente correta e irrefutável, de modo que seria supérflua toda palavra destinada a defendê-la contra os que a combatem. Se o direito de alguém for torpemente desprezado e pisado, não sentiria essa pessoa o irresistível impulso de defendê-lo, pois não está em jogo apenas o objeto desse direito, mas também sua própria pessoa? Essa pessoa não deve ser auxiliada, nem tenho interesse algum em convencê-la.

Trata-se de um tipo que não pode ser considerado humano, mas mera matéria de fato, reconhecido apenas como filisteu do direito, como eu o considero, sendo o egoísmo e o materialismo suas características essenciais. Nem é preciso que seja um Sancho Pança do direito para ver um D. Quixote naquele que, ao defender seu direito, só tenha em vista um interesse ligado ao bolso. Para ele não tenho outras palavras senão as que aparecem nos escritos de Kant: “Aquele que rasteja como verme, não pode queixar-se de ser pisoteado”. 1

Em outra passagem, diz Kant que “jogar seu direito sob os pés de outrem, é o desprezo da humanidade por si própria” e, aludindo...

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jusbrasil.com.br
7 de Dezembro de 2021
Disponível em: https://thomsonreuters.jusbrasil.com.br/doutrina/secao/1197097166/prefacio-de-ihering-a-luta-pelo-direito-rudolf-von-lihering-classicos-juridicos-ed-2018