Clássicos Jurídicos - Ed. 2018

Capítulo VI - Da Monarquia - Livro III

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Até 1 aqui consideramos o príncipe como uma pessoa moral e coletiva, unida pela força das leis e depositária, no Estado, do poder executivo. Temos de considerar agora este poder reunido nas mãos de uma pessoa natural, de um homem real, que só tenha direito de dele dispor de acordo com a lei. É o que se chama um monarca ou rei.

Bem ao contrário das outras administrações, em que um ente coletivo representa um indivíduo, nesta um indivíduo representa um ente coletivo, de modo que a unidade moral que constitui o príncipe é, ao mesmo tempo, uma unidade física, na qual todas as faculdades que a lei reúne na outra com tanto esforço, encontram-se naturalmente reunidas.

Assim, a vontade do povo e a vontade do príncipe e a força pública do Estado, além da força particular do governo, todas respondem ao mesmo móvel, todos os recursos da máquina estão nas mesmas mãos, tudo caminha para o mesmo objetivo, não há movimentos opostos que se destroem entre si e não se pode imaginar nenhuma espécie de constituição na qual o menor esforço produza uma ação mais considerável. Arquimedes, sentado tranquilamente na margem e puxando sem esforço, das ondas, um grande navio, parece-me um monarca hábil, governando, de seu gabinete, os vastos Estados e fazendo tudo se mover, parecendo imóvel.

Mas se não há governo que tenha mais vigor, não o há também em que a vontade particular tenha mais autoridade e domine mais facilmente os outros; tudo caminha para o mesmo fim, é verdade; mas esse fim não é o da felicidade pública e a própria força da administração gira sem cessar em detrimento do Estado.

Os reis querem ser absolutos e de longe se crê que o melhor meio de sê-lo é de se fazer amar por seus povos. Esta máxima é muito bela e mesmo muito verdadeira sob certos aspectos. Infelizmente, serão sempre escarnecidos nas cortes.

O poder que vem do amor dos povos é sem dúvida o maior, mas é precário e condicional; jamais os príncipes se contentariam com ele. Os melhores reis querem poder ser maus se isso lhes aprouver, sem cessar de ser senhores. Um pregador político fará bem em lhes dizer que se a força do povo lhes pertencer, seu maior interesse é que o povo esteja florescente, numeroso, temível; e eles sabem muito bem que isso não é verdade. Seu interesse pessoal é, primeiramente, que o povo seja fraco, miserável e que não possa resistir-lhes jamais. Confesso que, pressupondo os súditos sempre perfeitamente submissos, o interesse do príncipe seria então que o povo fosse poderoso, para que este poder sendo o dele, o torne temido pelos vizinhos, mas como este interesse não é senão secundário e subordinado, e que as duas suposições são incompatíveis, é natural que os príncipes deem sempre preferência à máxima que lhes é mais imediatamente útil. É o que Samuel 2 apresentava com vigor aos hebreus e o que Maquiavel fazia ver com clareza. 3 Fingindo dar lições...

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Ilustração de computador e livro
jusbrasil.com.br
7 de Dezembro de 2021
Disponível em: https://thomsonreuters.jusbrasil.com.br/doutrina/secao/1197097513/capitulo-vi-da-monarquia-livro-iii-classicos-juridicos-ed-2018