Clássicos Jurídicos - Ed. 2018

Capítulo XXV - Quanto Pode o Destino nas Coisas Humanas e de que Modo se Lhe Pode Resistir - O Príncipe – Maquiavel

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O destino “demonstra seu poder onde a coragem não lhe resiste”. A Itália.

138. Não ignoro como muitos foram e são de opinião que as coisas do mundo são governadas pelo destino e por Deus, que os homens, com sua prudência, não podem corrigi-lo, de modo que não possuem, assim, nenhum remédio. 1 Por isso, podem julgar que é melhor não se preocupar muito com as coisas, mas deixar-se governar pelo destino. Esta opinião é a mais aceita em nossos tempos, pelas grandes modificações das coisas, que foram vistas e se veem fora de qualquer conjetura humana. 2 Pensando nisso, algumas vezes, em certas coisas, inclinei-me à opinião deles. Não obstante, para que nosso livre arbítrio não seja em vão, creio poder ser verdade que o destino seja árbitro de metade de nossas ações, mas que nos deixe governar a outra metade, 3 ou quase. E comparo aquela a um desses rios destruidores, 4 que, quando se enfurecem, alagam as planícies, destroem árvores e edifícios, arrastam terras, levam-nas para outra parte; todos fogem diante deles, todos cedem a seu ímpeto, sem poder opor-lhes qualquer obstáculo. E, embora seja assim, nada impede que os homens, em épocas tranqüilas, não possam tomar providências com proteções e diques, 5 de modo que quando crescessem, ou entrassem num canal, o seu ímpeto não seria tão livre, nem tão prejudicial. 6 O mesmo se dá com o destino, 7 que mostra seu poder onde não encontra resistência, que volve seus ímpetos 8 para onde não foram feitos diques e proteções. E, se considerardes a Itália, que é sede destas transformações e que as iniciou, vereis que é como um campo sem diques e sem nenhuma proteção: se estivesse protegida 9 por suficientes forças militares, como a Alemanha, a Espanha e a França, ou esta enchente não teria produzido as grandes transformações que houve 10 ou nem teria acontecido. 11 E basta dizer isso quanto a opor-se ao destino em geral. 12

O príncipe que se apóia completamente na sorte, arruína-se, conforme esta varia; creio ainda que seja feliz aquele que adapta seu modo de proceder às condições dos tempos.

139. Restringindo-me, porém, mais ao particular, digo que se vê hoje este príncipe próspero e amanhã arruinado, sem ter-lhe...

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7 de Dezembro de 2021
Disponível em: https://thomsonreuters.jusbrasil.com.br/doutrina/secao/1197098783/capitulo-xxv-quanto-pode-o-destino-nas-coisas-humanas-e-de-que-modo-se-lhe-pode-resistir-o-principe-maquiavel-classicos-juridicos-ed-2018