O Advogado do Amanhã - Ed. 2019

O Advogado do Amanhã - Ed. 2019

O Desafio da Mudança: Como Escritórios de Advocacia Devem se Transformar para Manter Sua Importância em Um Mercado Impactado Pela Tecnologia da Informação

Entre no Jusbrasil para imprimir o conteúdo do Jusbrasil

Acesse: https://www.jusbrasil.com.br/cadastro

Rodrigo de Campos Vieira

Advogado. Graduado pela Faculdade de Direito Milton Campos, possui especialização em Gestão Empresarial pela Fundação Dom Cabral e pela Business School São Paulo. Com mais de 18 anos de experiência, atua focado no ecossistema de empreendedorismo e inovação, junto a startups, aceleradoras, VCs e grandes empresas interessadas em inovação aberta.

Victor Cabral Fonseca

Advogado. Graduado em Direito pela Universidade de São Paulo (FDRP-USP); Mestre pela Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (SP) em Direito dos Negócios e Desenvolvimento Econômico e Social. Professor convidado do curso “Direito em Startups” do Insper (SP). Realiza pesquisa em Direito, Inovação, Startups e Empreendedorismo. Bolsista Mario Henrique Simonsen, da Fundação Getúlio Vargas. Membro-fundador da Comissão de Estudos da Legislação em Empreendedorismo Criativo e Startups da OAB/SP – Pinheiros. Cofundador do Legal Hackers – São Paulo Chapter.

Introdução

Em Tomorrow’s Lawyers, o Prof. Richard Susskind 1 explora o cenário que será encontrado pelo profissional jurídico do futuro. Em uma verdadeira análise crítica sobre a realidade do direito, impactos tecnológicos e uma ressignificação da profissão, o autor endereça questões quase desconcertantes sobre o futuro de juristas e acende uma luz de alerta ao leitor: compreender as transformações que enfrentarão é uma tarefa fundamental para esses profissionais.

Essa transformação, segundo o professor de Oxford, é causada por três fatores: o desafio do “mais por menos”, a liberalização e, por fim, a tecnologia – sendo esta última especialmente desafiadora. O desenvolvimento exponencial da inovação afeta a atuação de advogados de duas formas: primeiro, exigindo novas habilidades para que profissionais sejam capazes de lidar com situações que se propagam na esfera social; segundo, novas ferramentas utilizáveis por juristas são criadas, fazendo da tecnologia parte de seu cotidiano como uma importante aliada – ou, a depender do caso, concorrente. Uma coisa é certa: diante dessa conjuntura, será gradativamente mais crucial enfrentar situações antes imaginadas somente em filmes de ficção científica.

Atualmente, boa parte do modelo de oferecimento de serviços jurídicos se resume na organização de entidades coletivas, como sociedades de advogados, responsáveis por organizarem profissionais em torno de um objetivo comum – prestar diferentes formas de assessoria legal. Assim, o acesso a tais serviços quase sempre é precedido pela busca de uma corporação, uma law firm, que pode ou não ser especializada em alguma área do Direito 2 e que muitas vezes se empenha em promover os melhores interesses dos clientes, sejam estas pessoas físicas ou jurídicas. O papel de advogados e seus escritórios, nessa toada, tem se transformado profundamente nos últimos anos: de problem solvers a strategic partners, tais profissionais adquirem uma crescente importância para o planejamento de seus contratantes, dadas as complexidades jurídicas que podem surgir e a necessidade de se pensar preventivamente em possíveis controvérsias.

Contudo, se juristas individualmente já precisam refletir sobre o que a tecnologia é capaz de fazer em seu cotidiano, tal preocupação se reflete nas organizações dedicadas ao oferecimento de serviços jurídicos. Esse panorama levanta impasses para estes agentes tão importantes para o acesso à Justiça: escritórios são diferentes de outras empresas? Essas organizações devem apenas pensar em questões jurídicas ou fazem parte da estratégia administrativa e econômica de seus clientes? Como a tecnologia pode tornar a prestação dos serviços mais eficiente e potencializar performance financeira?

McGinnis e Pearce 3 afirmam que a tecnologia tem potencial de agitar a profissão jurídica, mas não necessariamente em um sentido prejudicial. De acordo com os autores, advogados deverão ser capazes de tirar proveito destas ferramentas para prestar seus serviços de forma mais econômica, delegando às máquinas as etapas que estas são capazes de performar. É uma verdadeira forma em que profissionais ampliam seu alcance e conseguem atender clientes de classes menos favorecidas por meio da redução de custos.

Nesse sentido, a International Bar Association 4 exemplifica, em extenso relatório sobre a disrupção na profissão jurídica, alguns modelos que tiram proveito da inovação para transformar positivamente a entrega de serviços legais. Dentre os citados, está o modelo “Flex”, do escritório Fenwick & West LLP (San Francisco, EUA), uma amostra de como um escritório de grande porte pôde, de maneira bem-sucedida, cobrar honorários de formas flexíveis a clientes que ainda não conseguem arcar com os custos de um escritório mais robusto.

Em um contexto de mais perguntas do que respostas, o presente estudo utiliza dos trabalhos do Prof. Susskind, dialogando-os eventualmente com outros teóricos, para estudar em quais sentidos os escritórios de advocacia são impactados pelas transformações tecnológicas que tanto a sociedade, quanto a profissão, enfrentam. Para tanto, faremos uma breve elucidação dos atuais processos, aspectos de gestão e organização estruturam das law firms, passando por uma análise dos efeitos da tecnologia e de novos métodos na atuação de profissionais para, enfim, demonstrar algumas mudanças que podem ser adotadas por escritórios para aproveitarem as oportunidades que irrompem nessa nova realidade.

1. O modelo tradicional de escritórios de advocacia

Para compreender as transformações que a entrega de serviços jurídicos tem sofrido recentemente, nesta seção descreveremos brevemente como um escritório de advocacia se organiza atualmente. As práticas podem variar a depender da firma analisada, mas estas são algumas características típicas presentes em muitas organizações desta indústria.

Antes de prosseguir, contudo, é necessário fazer uma observação: a intenção aqui não é criticar a forma como advogados têm trabalhado há anos. Susskind 5 argumenta que a entrega de serviços jurídicos passa pelas seguintes fases: sob medida, padronização, sistematização, empacotamento e comoditização 6 . A diferença entre cada uma dessas fases não diz respeito à qualidade do serviço – pois não há de se questionar, por …

Uma experiência inovadora de pesquisa jurídica em doutrina, a um clique e em um só lugar.

No Jusbrasil Doutrina você acessa o acervo da Revista dos Tribunais e busca rapidamente o conteúdo que precisa, dentro de cada obra.

  • 3 acessos grátis às seções de obras.
  • Busca por conteúdo dentro das obras.
Ilustração de computador e livro
jusbrasil.com.br
9 de Agosto de 2022
Disponível em: https://thomsonreuters.jusbrasil.com.br/doutrina/secao/1198088445/o-desafio-da-mudanca-como-escritorios-de-advocacia-devem-se-transformar-para-manter-sua-importancia-em-um-mercado-impactado-pela-tecnologia-da-informacao