Temas Atuais de Direito dos Seguros - Tomo I - Ed. 2021

Temas Atuais de Direito dos Seguros - Tomo I - Ed. 2021

Temas Atuais de Direito dos Seguros - Tomo I - Ed. 2021

Temas Atuais de Direito dos Seguros - Tomo I - Ed. 2021

30. Regulação de Sinistros de Grandes Riscos

30. Regulação de Sinistros de Grandes Riscos

Entre no Jusbrasil para imprimir o conteúdo do Jusbrasil

Acesse: https://www.jusbrasil.com.br/cadastro

Autores:

Leonardo Semenovitch

Derrick Mackenzie

1.Introdução

Eu, Leonardo, fui apresentado ao termo Regulação de Sinistros no início da minha carreira profissional, quando trabalhava em uma empresa de equipamentos e cursava Engenharia Mecânica. Tivemos um incidente e fizemos de imediato a notificação da ocorrência ao corretor. Quando recebemos a pessoa indicada para trabalhar no caso, não era claro para mim porque a Seguradora não havia enviado um funcionário próprio, nem como ele poderia atuar com isenção, já que representava a parte que pagaria a indenização. Tampouco como ele avaliaria a perda e apuraria o prejuízo sem grande especialidade no assunto.

O trabalho executado foi excelente, e meu respeito pelo ofício se deu de forma imediata. Anos depois, ingressei no mercado de Seguros e acabei tendo maior familiaridade e nutrindo grande admiração pela atividade.

Como definição, Regulador de Sinistros é um título genérico que se refere àqueles que analisam, apuram e ajustam pedidos de indenização de Seguros. Pode ser um funcionário da própria Seguradora, trabalhar em uma empresa especializada ou até ser um profissional independente. Podemos dizer que o Regulador atua como um preposto da Seguradora ou do painel Segurador, mas eu o vejo como o elo entre eles e o Segurado, buscando sempre dar um caráter consensual ao processo.

Trataremos neste capítulo da Regulação de Sinistros de Grandes Riscos, um trabalho especializado, multidisciplinar e, muitas vezes, de complexidade elevada, mas que teve pouca evolução ao longo dos anos. Há algumas razões para isso, entre elas a falta de investimento em formação e treinamento, e a visão equivocada de que se trata de um “gerador” de custos, e não uma área voltada para a entrega do que as Seguradoras vendem, fundamental para a credibilidade e a reputação do mercado.

Abordaremos as etapas do processo, principais procedimentos, fluxo de informações, pontos de atenção e especificidades dos Contratos de Seguros. Ao final, daremos a nossa visão a respeito do que esperar nos próximos anos e do uso da tecnologia para o aperfeiçoamento da atividade.

2.História e evolução da Regulação de Sinistros ao longo dos anos

Os primeiros indícios do início da profissão de Regulador de Sinistros nos remetem a 1666, quando um grande incêndio ocorreu em Londres e, nos anos subsequentes, quando o seguro contra incêndio em propriedades se tornou popular, adotando algumas premissas que já eram válidas para o Seguro de Transportes. Naquela época, Seguradores e comerciantes começaram a utilizar seus conhecimentos técnicos de forma mais concisa e organizada para avaliação das perdas reclamadas em decorrência de Sinistros. No final do século XVIII, as principais Seguradoras de Incêndio já estavam nomeando “avaliadores” para atuar exclusivamente a serviço delas.

Entretanto, aparentemente, o termo Regulador de Sinistros ( Claims Adjuster ) somente foi usado pela primeira vez em 1941 com a fundação da Associação de Reguladores de Sinistros de Incêndio em Londres, quando um grupo de avaliadores se envolveu ativamente na apuração dos danos decorrentes dos bombardeios na Segunda Guerra Mundial. De lá para cá, a profissão foi se desenvolvendo com a especialização dos Reguladores por área de atuação e diversas instituições certificadoras foram criadas, principalmente na Inglaterra e nos Estados Unidos, que talvez sejam os mercados de Seguros mais desenvolvidos. Muitas empresas de regulação independentes surgiram, estabeleceram-se e expandiram suas áreas de atuação globalmente ao longo das últimas décadas.

No Brasil, por volta de 1862, surgem as primeiras sucursais de Seguradoras sediadas no exterior, trazendo o know-how e, muitas vezes, sua própria mão de obra especializada. Essas empresas transferiam para suas matrizes o prêmio cobrado, gerando indesejável evasão de divisas. Só em 1895 foi promulgada a Lei nº 294 determinando que as reservas técnicas fossem constituídas e tivessem seus recursos aplicados no Brasil, para fazer frente aos riscos assumidos aqui.

O mercado Segurador nacional só começou a se desenvolver de …

Uma experiência inovadora de pesquisa jurídica em doutrina, a um clique e em um só lugar.

No Jusbrasil Doutrina você acessa o acervo da Revista dos Tribunais e busca rapidamente o conteúdo que precisa, dentro de cada obra.

  • 3 acessos grátis às seções de obras.
  • Busca por conteúdo dentro das obras.
Ilustração de computador e livro
jusbrasil.com.br
7 de Julho de 2022
Disponível em: https://thomsonreuters.jusbrasil.com.br/doutrina/secao/1201073125/30-regulacao-de-sinistros-de-grandes-riscos-parte-vii-exigencias-de-conduta-das-partes-e-regulacao-do-sinistro-temas-atuais-de-direito-dos-seguros-tomo-i-ed-2021