Pronto para Partir? Reflexões Jurídico-Filosóficas Sobre a Morte - Ed. 2014

Pronto para partir?

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PRONTO PARA PARTIR?

Depois deste passeio desconcatenado por alguns dos territórios habitados pela morte, é hora de novamente indagar: você está pronto para partir?

Não creio seja frequente alguém responder que está. A vida é sempre desejada. Viver é um desafio sedutor. Por mais aflitiva seja a realidade existencial, ela é preferível sempre ao mergulho no ignorado.

Ninguém está realmente pronto para essa viagem derradeira.

Mesmo assim, não é despropositado pensar que a ideia da morte deve modificar nossa vida. Precisa alterar a maneira de viver, para que tudo adquira mais sentido. Não teremos todo o tempo do mundo para realizar os sonhos. A vida é muito rápida. Não tem ensaio, nem vem com uma receita de uso. Não há bula existencial. É urgente que o ser humano se conscientize disto.

A experiência dos que esbarraram na morte é eloquente. Quantas pessoas já vivenciaram essa proximidade e testemunham ser uma experiência impressionante? Alguns chegam a registrá-la e a divulgá-la, como o fez, com sua elegância de estilo, o amado Luis Fernando Verissimo, ao descrever as impressões de um quase-morto. Sentia-se a desmoronar, certo de que se viesse a se espatifar no saguão, certamente morreria. Mas a queda era interrompida a intervalos que ele sentiu como “oportunidades de fuga. O sonho me oferecia alternativas para a morte, se eu fizesse a escolha certa. Ou então me dava um minuto para pensar em todas as escolhas erradas que tinham me levado àquele momento e à morte certa: os exageros, os caminhos não tomados e as bebidas tomadas, as decisões equivocadas e as indecisões fatais, o excesso de açúcar e de sal, a falta de juízo e de moderação”. 1

A cada hiato, parecia ouvir: “desce aqui e salva a tua alma” ou “pense no que poderia ter sido, pense no que poderia ter sido”... As paradas não eram para diminuir o terror, as paradas eram parte do terror! Eu não tinha tempo nem para a fuga nem para a contrição. E o saguão se aproximava. Decidi me resignar. É uma das maneiras que a morte nos pega, pensei: pela resignação, pela desistência. Meu corpo não me pertencia mais, era parte de uma representação da minha morte, o protagonista de um sonho, absurdo como todos os sonhos. Talvez a morte fosse sempre precedida de um sonho como aquele, uma súmula de entrega e renúncia à vida, mais ou menos dramática conforme a personalidade do morto. Um sonho com anjos e nuvens rosa ou...

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8 de Dezembro de 2021
Disponível em: https://thomsonreuters.jusbrasil.com.br/doutrina/secao/1212797953/pronto-para-partir-pronto-para-partir-reflexoes-juridico-filosoficas-sobre-a-morte-ed-2014