Governança Estratégica para Escritórios de Advocacia - Ed. 2019

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8. Governança Societária

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A delicada relação entre sócios em escritórios de advocacia

Após mais de 30 anos convivendo entre sócios de escritórios de advocacia, posso afirmar com muita tranquilidade e sem medo de errar que a relação entre esses empreendedores é uma das mais delicadas e sensíveis, comparando-a aos outros mercados.

As razões são várias, mas apenas apontando a mais importante (na minha humilde opinião) é que escritórios de advocacia não são empresas patrimoniais onde a importância relativa ou a relação de poder é definida pela quantidade que cada sócio tem dos bens da empresa ou do valor que investiu. Lembremos que o patrimônio de um escritório desce o elevador todos os dias e vai para casa!

Além de não ser patrimonial, os fatores que determinam essa relação ou relativização, como costumo chamar, na sua maioria não são objetivos. Atributos como conhecimento jurídico, experiência, relacionamentos, reconhecimento no mercado, capacidade de captação, são apenas alguns deles, que interferem decisivamente na importância relativa do sócio e que são quase todos subjetivos e muito difíceis de serem avaliados. Alguns dos poucos fatores objetivos nessa complicada equação são faturamento próprio ou da equipe e percentual da carteira, que normalmente são utilizados pelos escritórios que utilizam o modelo “eat what you kill”.

Em última instância, cada sócio “vale” na sociedade aquilo que todos os outros sócios “acham” que ele vale.

Outro fator que torna mais difícil essa relação é que tudo isso é mutável ao longo do tempo e à medida que o profissional vai se tornando mais experiente (e velho), vai também alterando a forma como encara suas ambições e sua própria vida pessoal. Tudo isso vai mudando o tecido societário de maneira lenta, quase imperceptível e uma situação de conforto entre sócios definida num determinado momento pode não garantir essa estabilidade para sempre.

Devemos lembrar que essa relação entre sócios é em princípio a base de tudo, pois os comportamentos dos principais formadores de opinião permeiam pela sociedade e vão em última instância determinar de forma explícita e/ou subliminar todo o comportamento da equipe, definindo assim a filosofia empresarial dela.

Toda essa subjetividade aliada à diversidade de personalidades e às diferentes fases da vida de cada sócio geram visões às vezes totalmente diferentes do que deveria ser a filosofia empresarial e dos objetivos a serem perseguidos.

Como tudo isso é muito fluido, quero abordar nessa discussão um ponto ainda mais subjetivo, mas que no meu ponto de vista faz parte da infraestrutura básica ao qual todos os outros se apoiam, e para que tudo isso conviva de uma maneira harmônica devem existir duas premissas básicas:

De um lado a respeito de todo sócio aos princípios da sociedade, a consciência de que os interesses do todo são maiores que os interesses individuais (“o todo é maior do que a soma das partes”). Ter principalmente a real visão da relação entre sua contribuição à sociedade e sua participação nela (em termos de cotas ou percentual nos lucros) e a humildade de entender que a palavra sociedade dá o direito a qualquer outro sócio de solicitar esclarecimentos sobre as atitudes que interfiram na vida da empresa (accountability).

Do outro lado o comportamento profissional, racional e respeitoso que cada sócio deve ter ao solicitar de qualquer outro (s) sócio (s) os esclarecimentos citados anteriormente. Resumindo: “é obrigação e direito de todo sócio em dar e receber esclarecimentos sobre todas as suas atitudes e as de outros que interfiram na sociedade” ou, em outras palavras: “o direito de saber é exatamente igual ao dever de explicar”!

Sócios e a estrutura atômica

Desde pequeno sempre fui curioso sobre tudo que se referia ao átomo, sua estrutura e como essa minúscula partícula funciona. A figura representada por um núcleo cheio de bolinhas dentro e várias outras orbitando em torno dele sempre me fascinou.

Fonte: Wikitionary

Também gosto de metáforas e sou adepto do ditado que diz: “uma imagem vale mais do que mil palavras” (acho que pela dificuldade que sempre tive em me expressar por meio da linguagem escrita).

Juntando as duas coisas, enxerguei uma figura metafórica da estrutura atômica tradicional (aquela das bolinhas) como adaptável ao funcionamento de uma sociedade de advogados, da seguinte forma:

O núcleo, formado por prótons e nêutrons sendo os sócios formadores …

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29 de Maio de 2022
Disponível em: https://thomsonreuters.jusbrasil.com.br/doutrina/secao/1250396704/8-governanca-societaria-governanca-estrategica-para-escritorios-de-advocacia-ed-2019